quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tem dias que...

Tem dias que bate saudade...
Tem dias que bate tristeza...
Tem dias que bate raiva...
Tem dias que bate ciúme...
Tem dias que olhando uma foto dá vontade de te arrancar dela e te trazer pra perto...
Tem dias que queria que nem tivesse te conhecido...
Tem dias que acho que você é meu amor maior do mundo...
Tem dias que acho que não passou de ilusão...
Tem dias que sinto teu cheiro pelo ar...
Tem dias que ouço uma música e lembrar vc me faz chorar...
Tem dias que nem ligo pro que vc faz...
Tem dias que minha boca tem abstinência da tua...
Tem dias que te difamo pros outros...
Tem dias que queria gritar pra ti tudo que sinto...
Tem dias que queria que entendesse meu silêncio...
Tem dias que me convenço que tudo está no passado, mas a simples lembrança tua acaba com todas as minhas certezas... porque tem dias que o meu AMOR fala mais alto!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

No meu tempo


Embora eu esteja bem longe dos trinta, me identifiquei com este texto!


Porque eu não quero mais, sabe?
Porque muita coisa mudou, e dizem que aos 30 as mulheres ficam com mais 'preguiça de tudo que não é incrível'.
Eu cansei de noites em claro com quem não muda o meu dia.
Cansei de minutos ao telefone, com quem não diz exatamente o que eu preciso ouvir.
Não sei mais desperdiçar carinhos.
Não é qualquer mensagenzinha no celular que acelera meu coração.
E entre meu sofá e um gostosão sem cérebro... deito e durmo tranquilamente.
Não troco facilmente meus livros por uma noite suando na balada e uma madrugada fedendo a cigarro.
Aliás, homens que fumam eu risquei da lista. Os que dirigem bêbados também. E dos que não tem muita intimidade com a gramática, tô fora! Eu sei que a lista diminuiu consideravelmente. E as possibilidades de "desencalhar" também. Mas eu não faço questão de nada agora, sabe? Lembro que aos vinte eu sentia uma carência enorme quando ficava algumas semanas sem alguém...
Se uns acham que fiquei mais fria perto dos 30, eu digo que fiquei é mais seletiva. E o amor-próprio? Vai muito bem, obrigada! E admito, um amor cairia muito bem! Mas amor de verdade, sabe? Daqueles que transmitem paz só de olhar. Alguém que me aceite com todo o meu histórico de amores mal sucedidos, e minhas teorias malucas sobre o verbo amar.
Alguém de quem eu não precise mais do que a minha própria vida, mas que precise de mim pra vida inteira. Alguém só meu. E que não sinta necessidade de ser de mais ninguém. Não quero o cara sarado da academia, quero o cara de coração bem resolvido.
Não quero o cara perfeito. Só quero o meu cara.
E por isso eu espero, sabe? Sem procurar, porque isso me cansa demais. E eu ainda sou meio à moda antiga. Ser conquistada, pra mim, tem muito mais valor.
Eu ando naquela fase de me amar, pra saber ser amada depois. Eu ando me redescobrindo e me apaixonando por mim mesma. Tirei do baú os velhos gostos que sempre fizeram de mim uma boa companhia pra mim mesma. E vou vivendo. Não seguindo o fluxo das coisas. Vou vivendo do meu jeito, com as minhas manias, os meus livros, as minhas poesias, minhas músicas e meu sonho secreto de encontrar meu príncipe, mesmo que não seja tão encantado assim, e de finalmente, viver o meu “felizes para sempre”.

Porque a felicidade que eu tanto procurava nos outros, eu encontrei dentro de mim!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ALTAR VAZIO, JORNAIS DE ONTEM

No avião, uma passageira ao meu lado soltava gritos histéricos a cada turbulência.
Eu não me perturbei, não fui influenciado pelo seu medo: não me importava se fosse cair ou não.
No estádio, houve princípio de confusão, não corri para a saída. Permaneci tranquilo em meu degrau, não me importava se fosse me machucar ou não.
Se sou assaltado, devo virar os ombros. Se sou ameaçado, devo virar as costas. Não tenho receio das consequências.
Aceito absolutamente os riscos. A morte não me desagrada, a vida não me inquieta.
Não há vontade de me matar, muito menos de acordar.

Após a separação, não sofro de pressa nenhuma para concluir meus trabalhos. Não reclamo dos prazos. Não quero terminar logo uma palestra. Não apresso a porta de casa. Não defino um motivo para sair ou regressar. Um domingo lindo e uma segunda-feira chuvosa não guardam diferença. O altar vazio é igual a uma prateleira.
Não me preocupo com a minha saúde, ou com a aparência.
Na última sexta, dirigi de Porto Alegre até Caxias do Sul. Assim que atravessei o pedágio, voltei. Só precisava ir para longe e não parar nunca.
Pretendo cansar meu sofrimento. Rezo para desmaiar, e pensar menos.
Antes economizava tempo, reduzia as estadas nos hotéis, a duração dos voos, os afazeres, para ficar com ela. Agora o intervalo é inútil e minhas mãos são jornais de ontem.
Estou curiosamente tranquilo. O desespero me tranquiliza. O desespero me torna invencível. A expectativa é nula e, portanto, duradoura.
Voltei a ser humilde, a escutar as canetas, as moedas, os objetos caindo no chão e recolhê-los aos seus donos desajeitados.
A fossa me corrige a postura. Tenho falado baixo, peço licença às cadeiras e desculpa às paredes. Nunca andei tão educado, comedido, respondo imediatamente as ligações maternas.
A fossa devolve a modéstia. Você pode ser arrogante, mas o sofrimento amoroso rompe com a vaidade, fere a estima, sangra seu egoísmo.
Passa a se interessar pelos conselhos de todos, do síndico ao caixa do banco. Passa a andar devagar pelo bairro, enxerga cartomantes nos postes e beijos nos carros parados.
Não existe imunidade. Não tem como se defender da saudade.
O fim do amor é um retrocesso ambicioso. Não vai se valer da cautela. Não vai se apoiar na fama. Não vai fugir do desastre.
Você pode ser um empresário afortunado e rastejar para que alguém volte.
Você pode ser um ator de sucesso e mendigar uma segunda chance.
Você pode ser um engenheiro frio e indiferente e mergulhar numa crise de choro sem precedentes.
O amor é o antídoto da soberba. Maestros retomam o papel de solistas. Professores reiniciam seu percurso como alunos. Senadores se candidatam a vereador.
Aquele que se julgava pronto não tem mais nada fazendo sentido e precisa de tudo de novo.
Tudo de novo. Tudo de novo. Tudo de novo.




Fabrício Carpinejar