quarta-feira, 10 de abril de 2013
A paixão
A paixão faz a pessoa parar de comer, dormir, trabalhar, estar em paz. Muita gente
fica assustada porque, quando aparece, derruba todas as coisas velhas que encontra.
Ninguém quer desorganizar seu mundo. Por isso, muita gente consegue controlar esta
ameaça, e são capazes de manter de pé uma casa ou uma estrutura que já está podre. São os
engenheiros das coisas superadas.
Outras pessoas pensam exatamente o contrário: entregam-se sem pensar, esperando
encontrar na paixão as soluções para todos os seus problemas. Colocam na outra pessoa
toda a responsabilidade por sua felicidade, e toda culpa por sua possível infelicidade. Estão
sempre eufóricas porque algo de maravilhoso aconteceu, ou deprimidas porque algo que
não esperavam terminou destruindo tudo.
Afastar-se da paixão, ou entregar-se cegamente a ela - qual destas duas atitudes é a
menos destruidora?
Não sei.
11 Minutos - Paulo Coelho
sexta-feira, 29 de março de 2013
A praia
Nunca fui muito boa em aceitar as coisas. Sempre busquei uma explicação para tudo, meu lado Sherlock Holmes tem fascínio em descobrir tim tim por tim tim a parte oculta das coisas, o lado B das pessoas. Nem sempre isso é fácil e rápido, mas quando mergulho de cabeça em um assunto não há quem me faça sair dele.
Foi difícil acreditar e compreender que você me doía. Um sentimento não deve doer tanto assim, pensei diversas vezes. Mas, você sabe, sei me passar muito bem a perna, o braço, o apêndice e tudo mais. Perdi as contas de quantas noites deitei a cabeça no travesseiro e comecei a repassar mentalmente tudo que vivemos. Não me faltaram questionamentos. Onde errei? O que poderia ter feito diferente? O que poderia ter evitado?
Não era para você me doer tanto. Me apeguei, por instinto e carência, a pequenos detalhes, fagulhas, faíscas que jamais existiram. Ou existiram e eram pequenas demais. Voltei a repassar mentalmente tudo que podíamos ter vivido. O que você poderia ter feito? Onde você poderia ter aparecido, com um sorriso apaixonado e um olhar bobo, e ter me dito fica. Fica esta noite. Fica esta semana. Fica este mês. Fica este ano. Fica comigo esta vida. E na próxima também, porque eu sinto a sua falta a cada segundo que meu olhar se perde do seu.
Tentei voltar no que ficou para trás, mas não consegui. O passado andava rápido demais. Os passos eram largos, intensos, firmes. E eu tentava desesperadamente correr atrás do que restou aqui dentro. Tudo foi em vão. O meu mundo ficou pequeno, apertado, sombrio e triste. Existia ainda algo sem cor e sem som chamado esperança. Uma esperança que renascia a cada dia. Esperança de que você se arrependesse e me pedisse com a voz trêmula e os olhos úmidos: fica. Fica até a gente se perder um no outro. Fica para sempre, ainda que a gente não saiba se ele existe realmente. Fica até depois que tudo terminar.
Então eu tentei tirar tudo da cabeça em um happy hour com amigos, um novo corte de cabelo, um filme novo no cinema, uma bolsa nova, um novo papel de parede, aquela viagem tão sonhada. Por breves momentos até consegui, mas depois me dei conta que o novo nem sempre apaga o velho. E que não adianta tentar pisar em cima de todos aqueles castelos de areia, tem que deixar a onda chegar e levar.
Quis voltar para onde tudo parou e tentar fazer de lá um novo começo. Um recomeço qualquer, mais bonito, diferente, sem os erros do passado. Mas percebi que inevitavelmente o tempo passa e as pessoas mudam e as lágrimas secam e você começa a se reerguer devagar. Então, sem tentar fazer força, você olha o que restou dos castelos que a onda levou. E percebe que está na hora de mudar de praia, de areia, de estrutura de castelo. E começar uma nova história. Do zero.
Clarissa Corrêa
quarta-feira, 20 de março de 2013
Porque não ligar...
Dia de chuva. Frio lá fora. Casa vazia. De repente bate um vazio. Você já comeu tudo o que podia, mas continua vazia. Toma banho, lê um livro, escuta músicas, olha novela, faz as tarefas domésticas... mas continua faltando algo. E daí bate aquela vontade... vontade de ter um colo pra deitar, alguém pra mexer no seu cabelo, pegar suas mãos... alguém pra te fazer rir das piadas mais idiotas e que vai dormir a noite inteira agarrado em você, de tal forma que no outro dia você estará com dor em todo o corpo, mas na verdade isso não fará a menor importância. Vontade de alguém pra dar beijos apaixonados, abraços apertados, alguém pra chamar de amor, alguém pra pegar no seu pé por conta das coisas mais idiotas... Nesse momento, um celular ao lado torna-se um perigo. Você revira toda a agenda, lá está o nome dele. A vontade de ligar é imensa, mas você tem plena consciência que não deve. Já foi. A carência é má conselheira. Ela te fez querer reviver estórias falidas, joga seu amor próprio na lama e te faz querer procurar aquele carinha que te fez chorar pra caramba. Tá certo que de alguma forma fez bem também, do contrário você não sentiria falta. Mas se tá no passado tem um grande motivo pra estar lá.
Cuidado!
Mais vale se guardar num momento como este do que reabrir uma ferida que já está quase cicatrizada.
Dias como estes sempre irão existir, talvez sejam um sinal de que você precisa cuidar mais de você. Quando realmente for a hora, irá acontecer.
Vale a pena esperar por aquilo que realmente será bom pra você, acredite.
Cuidado!
Mais vale se guardar num momento como este do que reabrir uma ferida que já está quase cicatrizada.
Dias como estes sempre irão existir, talvez sejam um sinal de que você precisa cuidar mais de você. Quando realmente for a hora, irá acontecer.
Vale a pena esperar por aquilo que realmente será bom pra você, acredite.
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