sábado, 20 de julho de 2013

Sobre o mar...

Sempre que penso na palavra fé me vem na cabeça a imagem de um lindo mar de águas límpidas e calmas, sob um céu azul repleto de nuvens... Um ambiente tranquilo onde o único barulho que se escuta é o das andorinhas que enfeitam o céu.
Há algum tempo atrás, antes de começar a destruição do ambiente pelo homem, o mar era assim... águas cristalinas, em que todo mundo queria banhar-se, admirá-lo, ou ainda, tirar fotografia. Após algum tempo, o mar foi sendo contaminado, tanto lixo ali foi sendo jogado... e o mar das águas cristalinas foi perdendo sua pureza. As águas límpidas tornaram-se escuras. Muitas pessoas ainda ficam perante ele, mas já são poucas as que querem entrar. A maioria fica apenas na beirinha, lugar onde geralmente a sujeira mais se destaca. Somente aqueles mais corajosos, que sabem que apesar da sujeira , entrar no mar é ainda tão prazeroso quanto antes, são os que seguem adiante.
A gente é um pouco como o mar... no início de nossas vidas somos serenos, ingênuos, não temos maldade no coração e nos pensamentos. Com o passar do tempo, com nossas experiências e pessoas que vamos conhecendo, vamos nos contaminando aos poucos... a cada mentira que nos é dita, cada decepção que enfrentamos... tanta gente nos dizendo para sermos "assim, assado" porque se não nunca conseguiremos nada. "Se tu continuar sendo assim, nunca vai chegar em lugar nenhum. O mundo não é dos sinceros, é dos espertos". E assim o mar vai perdendo sua serenidade e até um pouco de sua essência. Tem dias que de tanta confusão, fica agitado. Tem dias que de tão contaminado, já não sabe mais quem é de verdade.
Tá, daí vc deve estar se perguntando: "Onde está a fé nisso tudo?"
A fé está na capacidade do mar, mesmo perante todas as adversidades, de saber quem ele é de verdade. Mesmo após tantas transformações, saber que no fundo ainda é aquele mar limpo e sereno.
A fé está em entender que já não é mais aquele mar que todos admiram e desejam, mas que os que verdadeiramente dele gostarem não se intimidaram pela crosta de sujeira que ali está. Os que tiverem interesse real não ficarão no raso: mergulharão nas profundezas!

Que não nos percamos em meio a tanto lixo. São muitas as pessoas que acham que te conhecem só porque trocam uma ou duas palavras contigo. Mas pra conhecer, não basta apenas isso. Pra saber quem vc é de verdade só mesmo entrando no seu mar, sabendo o pq de tanta sujeira estar ali, mas ter consciência que apesar disso tudo, vc é um ser humano com inúmeras qualidades.
 Não dê ouvidos aos que te julgam e falam mal de vc. Só a gente mesmo e Deus sabe quem somos!
E finalmente...
Que saibamos esperar pelo que vale a pena. São muitas as pessoas interessadas no superficial, poucas as que realmente se interessam pelo que vc realmente é de verdade. Mas é apenas por essas que vale a pena esperar!

Ana Paula GS
20/07/2013
22:37

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A paixão


A paixão faz a pessoa parar de comer, dormir, trabalhar, estar em paz. Muita gente
fica assustada porque, quando aparece, derruba todas as coisas velhas que encontra.
Ninguém quer desorganizar seu mundo. Por isso, muita gente consegue controlar esta
ameaça, e são capazes de manter de pé uma casa ou uma estrutura que já está podre. São os
engenheiros das coisas superadas.
Outras pessoas pensam exatamente o contrário: entregam-se sem pensar, esperando
encontrar na paixão as soluções para todos os seus problemas. Colocam na outra pessoa
toda a responsabilidade por sua felicidade, e toda culpa por sua possível infelicidade. Estão
sempre eufóricas porque algo de maravilhoso aconteceu, ou deprimidas porque algo que
não esperavam terminou destruindo tudo.
Afastar-se da paixão, ou entregar-se cegamente a ela - qual destas duas atitudes é a
menos destruidora?
Não sei.

11 Minutos - Paulo Coelho

sexta-feira, 29 de março de 2013

A praia


Nunca fui muito boa em aceitar as coisas. Sempre busquei uma explicação para tudo, meu lado Sherlock Holmes tem fascínio em descobrir tim tim por tim tim a parte oculta das coisas, o lado B das pessoas. Nem sempre isso é fácil e rápido, mas quando mergulho de cabeça em um assunto não há quem me faça sair dele.


Foi difícil acreditar e compreender que você me doía. Um sentimento não deve doer tanto assim, pensei diversas vezes. Mas, você sabe, sei me passar muito bem a perna, o braço, o apêndice e tudo mais. Perdi as contas de quantas noites deitei a cabeça no travesseiro e comecei a repassar mentalmente tudo que vivemos. Não me faltaram questionamentos. Onde errei? O que poderia ter feito diferente? O que poderia ter evitado?


Não era para você me doer tanto. Me apeguei, por instinto e carência, a pequenos detalhes, fagulhas, faíscas que jamais existiram. Ou existiram e eram pequenas demais. Voltei a repassar mentalmente tudo que podíamos ter vivido. O que você poderia ter feito? Onde você poderia ter aparecido, com um sorriso apaixonado e um olhar bobo, e ter me dito fica. Fica esta noite. Fica esta semana. Fica este mês. Fica este ano. Fica comigo esta vida. E na próxima também, porque eu sinto a sua falta a cada segundo que meu olhar se perde do seu.


Tentei voltar no que ficou para trás, mas não consegui. O passado andava rápido demais. Os passos eram largos, intensos, firmes. E eu tentava desesperadamente correr atrás do que restou aqui dentro. Tudo foi em vão. O meu mundo ficou pequeno, apertado, sombrio e triste. Existia ainda algo sem cor e sem som chamado esperança. Uma esperança que renascia a cada dia. Esperança de que você se arrependesse e me pedisse com a voz trêmula e os olhos úmidos: fica. Fica até a gente se perder um no outro. Fica para sempre, ainda que a gente não saiba se ele existe realmente. Fica até depois que tudo terminar.


Então eu tentei tirar tudo da cabeça em um happy hour com amigos, um novo corte de cabelo, um filme novo no cinema, uma bolsa nova, um novo papel de parede, aquela viagem tão sonhada. Por breves momentos até consegui, mas depois me dei conta que o novo nem sempre apaga o velho. E que não adianta tentar pisar em cima de todos aqueles castelos de areia, tem que deixar a onda chegar e levar.

Quis voltar para onde tudo parou e tentar fazer de lá um novo começo. Um recomeço qualquer, mais bonito, diferente, sem os erros do passado. Mas percebi que inevitavelmente o tempo passa e as pessoas mudam e as lágrimas secam e você começa a se reerguer devagar. Então, sem tentar fazer força, você olha o que restou dos castelos que a onda levou. E percebe que está na hora de mudar de praia, de areia, de estrutura de castelo. E começar uma nova história. Do zero.
Clarissa Corrêa